sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Crítica de "O Abutre"

Los Angeles. A cidade dos anjos. Quando cita-se essa cidade pensamos em Hollywood, a Calçada da Fama, enfim lugares glamourosos e coloridos. Porém, esse filme desde o início nos dá um novo ponto de vista. A primeira cena tem uma panorama extremamente escuro, até mesmo, gótico e somos introduzidos na vida de Lou Bloom (Jake Gyllenhaal). Logo na primeira cena ele é pego roubando uma cerca de arame, é abordado por um segurança particular e o mata a sangue frio. Não existiria modo mais eficiente de apresentar o persoagem. Somente com essa cena, descobrimos que Lou é um personagem totalmente surpreendente e extremamente frio. A partir dali, o público já fica curioso com sua história e quer saber de sua conclusão.

Lou passa então a ser um repórter "freelancer", que sempre tenta cobrir os acontecimentos criminais da cidade antes de qualquer um chegar. Nesse panorama somos introduzidos ao mundo do jornalismo americano, desde a corrida para o furo jornalístico até a negociação do réporter com a TV. Tudo isso é muito bem explicado, sem nenhum narrador mediador. O universo das redes de TV é todo explicado através dos diálogos entre os personagens. Aliás, o protagonista é um excelente personagem. Mesmo com métodos extremamente pontuais e muitas vezes controverso, o público se indentifica com ele. Lou se apresente basicamente como a figura de um anti-herói. Além do personagem ser forte, a atuação de Jake Gyllenhaal merece ser destacada. O ator demonstra-se extremamente versátil e prova àqueles que acham que trata-se apenas de mais uma carinha bontinha de Hollywood que estão errrados. É fruto de um trabalho de extrema ascensão, muito acentuado pelo ótimo filme "Os Suspeitos", de 2013.

A direção é de Dan Gilroy. É seu primeiro trabalho como diretor. Anteriormente, foi responsável pelo roteiro de "Gigantes de Aço" e "O Legado Bourne".Em seu primeiro trabalho na direção principal, Gilroy impressiona. Apresenta uma direção extremamente limpa, mas também capaz de causar apreensão no expectador. Apesar do roteiro ter bastante mérito em criar os acontecimentos, é a direção que consegue passar a tensão necessária. O filme todo é bem montado e a fotografia é belíssima. A maior parte do filme é passada a noite, então o cenário mais "dark" da cidade é bem explorado pelo diretor de fotagrafia. O título o Abutre nos remete à escória dos animais, aquele que se alimenta de restos em decomposição. Pode-se dizer que o protagonista pertence a um tipo de escória, mas ele não está satisfeito com isso. Ele está sempre em busca de melhores condições. Talvez seja por isso que nos identificamos com um personagem deveras controverso.

O roteiro, assim como o protagonista, é surpreendente. Começa contando uma simples história de um trabalhador em busca de ascensão profissional e viaja até a própria busca do personagem pela sua verdade interior. O final do filme apresenta-se muito bem durante o clímax e consegue fechar a história na hora certa. Dan Gilroy nos oferece uma bela surpresa, que desenvolve o batido tema da busca do ser-humano por evolução. Mas,como o filme retrata, essa evolução pode vir da queda de outras pessoas.

Nota: 

- Demolidor

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Crítica de "Operação Big Hero"

Parece perfeito, uma receita infalível. Por que não juntar a equipe da animação da Disney com os personagens da Marvel? Os diretores Don Hall e Chris Williams foram os primeiros a realizar essa receita. E o resultado? Uma hora e quarenta de pura diversão e ação. Claro, sem faltar o lado cômico da Marvel.
A história é sobre Hiro (um gênio de treze anos) e Baymax (um robô progamado pelo irmão mais velho de Hiro). Os dois, junto a um grupo de mais quatro, formam o grupo Big Hero 6.
A animação tem um traço bastante oriental mas não deixa de ter o tom Disney. A história se passa no futuro, na cidade de San Fransokyo (uma mistura de São Fransisco com Tóquio). A ambientação futurística é muito bem feita e a forma como mesclaram as duas cidades é muito interessante.
Um dos fatores que trazem diversão extra para o filme é o fato dos personagens principais serem "nerds" e de realizarem muitos experimentos e invenções. Um mais criativo que o outro. O mais legal é que isso acaba influenciando na ação à medida que vamos chegando ao clímax.
Diferente de "Guardiões da Galáxia" e "Os Vingadores", aqui fica muito claro quem são os protagonistas do grupo (Hiro e Baymax). Aí entra o principal problema do filme. Não existe um apego com os outros quatro personagens no grupo. É bem provável que você saia do cinema sem lembrar o nome de todos eles. Porém, isso é parcialmente resolvido com a comédia. Já que não nos apegamos muito àqueles personagens, pelo menos rimos deles.
É inegável que o robô Baymax seja o melhor personagem do longa. As piadas mais engraçadas vêm dele. Não porque ele é um personagem engraçado, mas porque sua limitação apenas àquilo que foi progamado e seu formato geram situações hilárias.
Hiro também é um personagem interessante. Seu arco na história é bem claro. Ele começa como um menino sem rumo e se resolve após grandes acontecimentos - uns bons, outros ruins.
Um filme produzido pela Disney e pela Marvel não pode ser algo ruim. Recheado de piadas e ação, o longa é muito divertido. No fim, a receita infalível não falhou.

Obs: Existe uma cena pós-créditos

Nota:

- Bilbo

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Crítica de "Êxodo: Deuses e Reis"

Ridley Scott é um dos melhores diretores em atividade nos EUA. Ele não precisa provar isso pra ninguém. Ele é responsável por levar às telonas grandes marcos da ficção científica como "Blade Runner" e "Alien". Além disso, o diretor se mostrou bastante capaz na direção de filmes históricos como no inesquecível "O Gladiador" e no bom filme "Robin Hood". Com uma carreira dessa nas costas, o mínimo que se espera é um bom filme. Mas, infelizmente, aqui Ridley não dispõe dos elementos que o tornaram tão reverenciado.

O filme conta a história de Moisés, seguindo a risca o que está escrito no Antigo Testamento.É uma história que todos já estão cansados de saber, pois já foi levada a diversas mídias, inclusive a um filme de animação. O que fazer para uma história tão mastigada se tornar original? O primeiro passo seria um bom desenvolvimento de personagens. Mas esse é o pior problema do filme. Todos os personagens são extremamente rasos. O público não se apega a ninguém, nem mesmo ao protagnista. Diferente de "Gladiador", onde o público sofria junto com o protagonista, aqui ele se torna totalmente indiferente. O roteiro apresenta Deus na figura de um menino, na hora que ele se comunica com Moisés. Essa opção de representá-lo dessa forma não dá certo, pois assim o Criador não é tão temível e inalcançável como deveria.

Apesar de ter uma atuação relativamente boa, Christian Bale é prejudicado por um roteiro que não o ajuda. Assim sua atuação não é bem usada e não é justificada. Se foi contratado um ator tão bom assim, o mínimo que se esperava era que seu personagem fosse marcante.O inusitado é que os dois filmes já citados tiveram Russell Crowe como protagnista e este deu muito certo. E agora quando tentam mudar um pouco, trazendo um ator à altura o filme não se sustenta. O elenco coadjuvante do filme é pífio. Apesar de ter participação de grandes atores como Ben Kingsley e Aaron Paul, eles quase não são usados. O personagem que mais se destaca é Ramses interpretado por Joel Edgerton. Porém, sua atuação é razoável, oscilando entre ótimos e péssimos momentos.

O longa também tem seus pontos bons. Ele foi gravado na Espanha com cenários interativos e muito pouco CGI (efeitos digitalizados). Isso demonstra um ótimo trabalho, pois a ambientação fica muito mais realista. Aliás, a representação do Egito Antigo está perfeita. Tanto no figurino das pessoas como na arquitetura dos prédios e das pirâmides, tudo remete muito bem a esse período histórico. A direção de arte é excelente. A direção com a câmera na mão é muito boa. Ridley consegue como ninguém gravar cenas de ação históricas da forma mais realista possível. É provavelmente o melhor diretor atual em cenas de batalha.Sua direção sempre deixa essas cenas com o maior índice de realidade possível. O problema é que essas cenas são raras, só existe uma no início que deixa o público esperançoso e depois elas desaparecem.

Os efeitos especiais do filme são excelentes e muito bem renderizados. Nesse quesito o filme é impecável. A pena é que um longa não deve se sustentar apenas com ótimos efeitos. Quando assiste-se a um filme do gênero épico espera-se sempre uma trilha sonora marcante. Contradizendo essa afirmação, o longa apresenta uma trilha extremamente clichê e que não empolga o público como deveria. O filme deve ser visto pelos fãs do diretor ou por quem estiver a fim de ver uma excelente reconstituição histórica. Mas se está em busca de um roteiro épico, o melhor a se fazer é reassistir "O Gladiador".

Nota: 

- Demolidor

sábado, 13 de dezembro de 2014

Crítica de "O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos"

Aqui estamos. Pela última vez criticando um longa situado na Terra Média de Peter Jackson. Uma jornada que se iniciou com a inesquecível e praticamente perfeita trilogia "O Senhor dos Anéis". Depois de um tempo respirando, voltamos a visitá-la em "O Hobbit - Uma Jornada Inesperada", um filme que se configura bem no gênero aventura e é bem fiel ao universo Tolkien. Eis que chega "O Hobbit - A Desolação de Smaug", um filme com roteiro extremamente aberto, sem uma história central definida e decepcionante.

O que esperar do último filme duma trilogia controversa? Todo o marketing do filme estava voltado para "O último adeus". Isso significa que acabou o universo da Terra média no cinema. Pelo lado fã é triste em pensar nisso. Então, além de corrigir as pontas soltas do segundo filme, este longa tem a responsabilidade de encerrar uma obra com uma legião de fãs de forma emocionante. Consegue? Bem, diria que o filme é bom. O roteiro consegue corrigir os erros de seu antecessor aos poucos, porém algumas gorduras insuportáveis continuam. Exemplo pleno disso é o romance inexplicável entre a elfa Tauriel e o anão Kili. Parece que só existe para a saga ter alguma história de amor. Outro problema que o filme herda do segundo é o início. O longa já inicia com o dragão atacando a cidade e o Smaug é resolvido nos primeiros quinze minutos. O ideal era o início desse filme ser o final do outro. Assim a história teria muito mais coerência e ritmo.

Como já diz o título, o foco do filme são as batalhas. Apesar de terem uma direção bem característica de Peter Jackson e seus exageros, elas são demasiadas. Se existe algum personagem favorecido nesse filme é Thorin. Esse é seu filme definitivo e é aqui que finalmente nos apegamos com o personagem. Além dessa parte do roteiro ser bem desenvolvida, o ator Richar Armitage merece destaque por sua grande atuação, até mesmo surpreendente. Aliás, o elenco todo está ótimo. Luke Evans como Bard está excelente. Este é outro personagem que cresce bastante durante o filme, mas torna-se pouco original e fica muito parecido com outros líderes humanos como Theoden em "O Senhor dos Anéis". Bilbo tem um papel importante no filme, porém não é o principal. Isso é estranho, pois no livro a parte que ele realmente se destaca é a retratada no longa. Martin Freeman continua bom na interpretação do hobbit, mas sua ausência é notada. Uma das minhas cenas preferidas foi a aparição de Saruman e Galadriel. Mesmo não acrescentando muito a história, é uma cena empolgante e dá uma sensação nostálgica boa. Outro ponto bom do filme são os créditos onde toca a bela música "Last Goddbye" de Billy Boyd.

"O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos"apesar de tudo é um bom filme. Na certa, poderia ser bem melhor com algumas alterações. Além disso, o filme deixa claro a seguinte afirmação: o grande problema e a grande qualidade do Hobbit é Senhor dos Anéis. Apesar do filme todo ter seus momentos ótimos e seus momentos pífios uma coisa é certa: o final é épico.  A cena final é extremamente bem construída e emocionante. É ali que vemos a real ligação entre o Hobbit e Senhor dos Anéis e ali cai a ficha que acabou.

Nota:




                              - Demolidor

domingo, 2 de novembro de 2014

Crítica de "Boyhood - Da Infância à Juventude"

Duas horas e quarenta minutos resumem doze anos da vida de um menino. O diretor Richard Linklater começou este projeto em 2002. Filmando uma semana por ano, Linklater conseguiu mostrar de forma simples a personalidade de um menino comum sendo formada. Com certeza, algo nunca antes visto no cinema.
O roteiro é simples e não apela para o melodrama, algo que seria muito comum. Mesmo com momentos dramáticos, são cenas rápidas. Afinal, esses momentos acontecem na vida de todos. Mas sempre acabam passando. A simplicidade do roteiro é um dos maiores méritos do filme. Sem apelar para diálogos expositivos, o texto convence inacreditavelmente. Mas isso também se dá pelas atuações.
Mason, o protagonista, é interpretado por Ellar Coltrane. Sua performance é muito natural, principalmente por atuar como si mesmo. É muito interessante e até tocante a forma como o menino vai crescendo e como vai descobrindo a vida. É uma das sutilezas que essa obra consegue transmitir excepcionalmente. Além da vida de Mason, o filme, como consequência, mostra as histórias dos personagens relacionados. Principalmente da mãe, do pai e da irmã. Patricia Arquette atua como a mãe no longa. A maneira como ela transmite o crescimento da personagem - de uma mãe solteira muito jovem e cheia de problemas para uma professora de respeito na faculdade - é impecável. Outro ator que está excelente é Ethan Hawke, o pai de Mason. Os diálogos entre pai e filho são muito naturais. "Qual Beatle é o melhor?",  "Vão fazer outro Guerra nas Estrelas?" e por aí vai. Seu personagem é outro que cresce bastante durante a história.
A direção de Linklater é muito boa também. Primeiro, é preciso ressaltar a coragem e a paciência por realizar tal projeto, inédito na história do cinema. O longa possui alguns planos-sequência lindos. Alguns que são até repetidos como técnica narrativa. Richard cria uma mensagem visual muito bonita durante o longa. A escolha da trilha sonora é outro ponto alto do filme. Além de músicas memoráveis e emocionantes, elas ajudam a situar o espectador no tempo. Um exemplo disso é o filme começar com "Yellow" do Coldplay, nos mostrando que estamos em 2002.
"Boyhood" é um filme sem igual. É impossível não se identificar com pelo menos um momento da vida de Mason. Devido a esse motivo, à inovação como obra cinematográfica, aos detalhes de direção e à simplicidade do roteiro, "Boyhood" é um filme memorável. Um dos melhores (se não o melhor) do ano.

Nota:





- Bilbo




sábado, 6 de setembro de 2014

Crítica de "Anjos da Lei 2"

Em 2012 chegava aos cinemas um filme que tinha tudo para dar errado. Uma comédia americana fazendo um "reboot" duma série não tão aclamada dos anos 80. Além do mais, o filme misturava o galã Channing Tatun com o "gordinho engraçado" Jonah Hill, que na época não possuía o sucesso que tem hoje. Porém o filme conseguiu vencer essas adversidades, e entregou um roteiro extremamente engraçado, usando de piadas modernas e sabendo falar a linguagem do público-alvo. Naquele filme, Jenko (Tatun) e Schmidt (Hill), dois policiais novatos, se infiltram no colegial para descobrir quem é o traficante duma droga que estava matando alguns alunos. Já aqui, os dois policiais se infiltram na Faculdade com o mesmo propósito, achar um traficante que está vendendo uma droga nova para os alunos. Dá para perceber que pouca coisa muda, inclusive a alta qualidade.

O roteiro é bem feito. As piadas criadas pelos roteiristas são geniais. Elas conseguem ser extremamente atuais, além de existirem algumas que fazem referência a elementos antigos da cultura Pop. O desenvolvimento da história é praticamente o mesmo do primeiro filme, inclusive nas partes dramáticas. Isso poderia ser um ponto ruim, mas como em "Anjos da Lei" ("21 Jump Street") esse balanço funcionou perfeitamente, os roteiristas repetiram a fórmula. E deu certo. O roteiro também apresenta alguns personagens divertidos, destaque para os gêmeos que dormem no quarto ao lado dos protagonistas. Suas aparições são sempre malucas e levam o público às gargalhadas. O filme também consegue dar mais importância ao personagem do Ice Cube e isso produz situações extremamente engraçadas. Na parte dramática, o filme consegue aprofundar ainda mais a relação entre os protagonistas e leva o público a se importar com a amizade deles. Talvez o único ponto fraco do roteiro seja o desenvolvimento dos vilões que estão ali apenas porque têm que estar. Não é apresentada nenhuma motivação. Mas como o filme é para ser encarado como uma comédia, isso não prejudica o filme num todo.

A direção é de Phil Lord e Christopher Miller. A dupla é a mesma que dirigiu o primeiro filme, além de dirigir a ótima animação desse ano "Uma Aventura Lego". Eles conseguem fazer um bom trabalho. Como no roteiro, repetem a mesma fórmula do primeiro filme na direção. Muitas vezes alguns movimentos de câmera rápidos fazem parte do humor do filme e isso os diretores conseguem fazer muito bem. A direção por um todo está bem feita, usando as vezes de alguns elementos como a câmera lenta que funcionam bem. "Anjos da Lei 2" ("22 Jump Street") possui algumas cenas de ação que possuem efeitos realistas que fazem com que o público esqueça que é um filme. Aliás, esse é um dos grandes pontos altos do filme, o público não vê o tempo passar. É tamanha diversão que o filme vai se desenrolando e o espectador só percebe que o tempo passou nos créditos finais. Estes que começam bem divertidos, mas depois de um tempo fica forçado e entediante. O filme possui uma trilha sonora excelente, que consegue também ditar os alívios cômicos em alguns momentos. O figurino é bem realizado, usando de peças de marcas conhecidas pela nova geração. O longa apresenta algumas participações especiais que são muito divertidas para quem as entende.

O elenco principal do filme está muito bem. Channing Tatun e Jonah Hill têm uma química na atuação que é impressionante. Eles convencem o público sobre sua amizade e sobre a diversão que eles estão tendo. Apesar de Jonah Hill roubar a cena (como sempre), Channing também consegue dar sua contribuição ao filme e não se caracteriza apenas como um galã com músculos. Essa dupla consegue ter uma combinação perfeita que produz alívios cômicos certeiros. Outro ponto alto do elenco é o Ice Cube que está hilário. Parece que ele é daquele jeito, e não que ele está interpretando um personagem. Isso é um acerto do "casting" que contratou o cara ideal para o papel. Existem partes que o filme zomba de si próprio, por ser uma continuação, por apenas existir devido ao sucesso do primeiro filme, que se fizerem sucesso eles irão para a "23 Jump Street". Essas partes dão um tom leve e sem responsabilidade ao filme, mas sem ser indiferente à sua qualidade. Duas horas que passam num piscar de olhos, devido a química perfeita entre os protagonistas e um roteiro com piadas certeiras.

Nota: 

- Demolidor

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Crítica de "Os Mercenários 3"

Em 2010 chegava aos cinemas um dos filmes mais ousados da nossa época. Era a junção de todos os "brucutus" que faziam filmes de ação nos anos 80 em um filme só. Tinha tudo para ser um fiasco. Mas para a surpresa de todos,  o filme foi bem conduzido, com uma boa dose de humor, porrada bruta e tiros para todos os lados. Em termos de roteiro muitos vão dizer que a franquia não foi muito boa. Mas convenha-se que quem vai ver um filme desse estilo não está interessado num roteiro muito elaborado. Em 2012, depois do sucesso de "Os Mercenários", estreava a continuação da franquia. Conseguindo acompanhar o ritmo do primeiro filme, o longa também foi querido e atraiu uma nova legião de fãs. Em 2014, então, chega aos cinemas o terceiro filme da franquia. Um filme que apenas precisava imitar a fórmula usada nos anteriores. Mas quiseram inventar e isso prejudicou o filme.

O roteiro é extremamente ruim. Mesmo os roteiros anteriores não sendo tão bons, esse é o pior sem dúvida. Situações mal explicadas, motivações pífias, desenvolvimentos superficiais. Tudo isso estava presente nesse roteiro. E o pior de tudo: grande parte do filme acompanha um novo grupo de jovens Mercenários que substituem os antigos. Além de não possuírem atores conhecidos, suas atuações são deprimentes. Seus personagens não possuem carisma nenhum que provoque uma identificação com o público e isso torna o filme lento em alguns momentos. Porém, as cenas em que a equipe antiga está em ação são extremamente empolgantes e divertidas e por ora, o público esquece do péssimo elenco jovem. O ponto alto do roteiro deve ser o vilão principal, interpretado pelo mestre Mel Gibson. Disparadamente é o vilão mais bem desenvolvido de toda a franquia, com motivações que não precisam ser plausíveis, pois o personagem é completamente insano. Existe até uma cena em que o personagem lembra muito o Coringa da trilogia de Nolan. E combinado ao gênio da atuação Mel Gibson, o personagem funciona muito bem.

A direção é de Patrick Hughes. Sendo o primeiro filme de peso dirigido por ele, o diretor não apresenta nenhum estilo próprio direção. É uma direção completamente genérica no gênero, usando inúmeras vezes do artefato da "câmera tremida". Porém, tratando-se de um filme de ação a direção consegue conduzir o filme até onde dá. A culpa do filme não ser tão bom quanto os anteriores não deve cair sob Patrick, mas sob os roteiristas que criaram personagens detestáveis. As cenas de explosão são mal acabadas, porém as cenas de tiroteio têm uma apresentação muito boa e empolgante. O roteiro como já foi falado peca principalmente nos personagens jovens, que não acrescentam nada a história e as vezes até irritam. Mas, o roteiro também acerta não somente no vilão, mas nos personagens de Wesley Snipes e Antonio Banderas que são bastante divertidos.

O elenco "velho" continua a mesma coisa, eles fazem o filme para se divertir e conseguem passar credibilidade ao público. Destaque a atuação de Mel Gibson que é bastante coesa e a Harrison Ford que passa uma seriedade bastante impactante. O resto do elenco antigo está bem, mas nada que se mereça comentar. Mais uma vez o problema do elenco são os jovens. Não existe nenhum bom ator entre eles que possa salvar suas participações e isso incomoda bastante o público. O filme se prejudica com os personagens jovens sem desenvolvimento, mas todas as vezes em que a "velha guarda" aparece é diversão garantida.

Nota: 



 - Demolidor

domingo, 3 de agosto de 2014

Crítica de "Guardiões da Galáxia"

Quase ninguém sabia o que esperar desse novo filme da Marvel. Seis anos depois do começo da editora nas telonas, chegou ao cinema os primeiros super-heróis produzidos pelo Marvel Studios que não fazem parte de "Os Vingadores". Como essa nova equipe de heróis não é muito famosa nos quadrinhos, mesmo grandes fãs da editora ficaram com o pé atrás para esse filme. Porém a Marvel, inteligente como (quase) sempre, soube usar esse fator em seu favor. Como apresentar todos esses personagens para o público e ainda contar uma boa história em um filme só? A saída perfeita encontrada pelo roteiro é fazer com que os personagens se conheçam junto com o público. O filme ainda brinca com isso, com piadas sobre os coadjuvantes não conhecendo os Guardiões.
A história conta a aventura do grupo para capturar o Orbe, uma das gemas do infinito. Porém, complicações acontecem no meio do caminho.
Uma das coisas mais interessantes do filme também, é como ele passeia por diferentes gêneros de uma forma bem sutil e coerente. Temos drama, ação, aventura e comédia. E QUANTA comédia. Dá para dar boas gargalhadas durante o longa. Elas se dão principalmente pela muito cômica química entre os cinco personagens principais. Cada um deles possui uma característica específica que possibilita diferentes tipos de piada.
A ação é muito bem pontuada e dirigida. O diretor James Gunn soube usar as diferentes habilidades de cada personagem para criar lutas criativas e empolgantes, assim como aconteceu em "X-Men - Dias de Um Futuro Esquecido". A história da aventura também é muito interessante, pois os heróis vivem duas jornadas: uma para realizar a missão deles e a outra para aprender a conviverem juntos.
Mas, esse filme não seria nada sem seus excelentes personagens. São todos muito diferentes e carismáticos. Começando por Starlord ou Peter Quill, vivido por Chris Pratt. É o personagem com mais tempo de tela, justamente por ser o único humano na história. O personagem passa por várias situações difíceis e cômicas retratadas muito bem por Pratt, um ator em ascensão que, provavelmente veremos bem mais nos cinemas. Também existe o Rocket, dublado por Bradley Cooper. Um guaxinim falante genial. Um dos personagens mais engraçados de todos os filmes da Marvel. Inclusive, seria muito engraçado um encontro dele com Tony Stark. Cooper tem o timing muito bom para as piadas. E a voz está muito boa. Essa é uma das principais coisas que se perde vendo o longa dublado. Vin Diesel dubla o parceiro de Rocket, Groot. Este é o gancho para muitas piadas no filme, principalmente por ser uma árvore ambulante que só fala "Eu sou o Groot". Zoe Saldana interpreta Gamora, uma das filhas de Thanos. Sua personagem é, provavelmente, a mais sem sal do longa. Possui pouco personalidade, principalmente se comparada aos quadrinhos. Mesmo assim, sua falta de personalidade ajuda a ressaltar o excesso da de seus companheiros. Por último, Drax. O alienígena mercenário que procura vingança é feito por Dave Bautista. O mais legal do personagem é não entender as piadas e metáforas, levando tudo no sentido literal. Essa característica cria muitas situações cômicas.
O filme lembra muito "Star Wars" em alguns aspectos. A relação de Rocket com Groot é muito parecida com a de Han Solo com Chewbacca. Gamora lembra a Princesa Leia, principalmente por seu planeta natal ter sido destruído e também por ser a única mulher (alienígena) no grupo.
A trilha sonora é um dos pontos fortíssimos do longa. As músicas dos anos oitenta se encaixam perfeitamente no filme. A forma como ela aparece nas cenas é muito orgânica. Uma das melhores trilhas sonoras ultimamente.
O visual do longa é muito bom. A forma como a fotografia vem de uma maneira natural, com uma paleta de cores muito variada lembra muito as histórias em quadrinhos. A direção de arte também é incrível. Todos os cenários, figurinos e até os próprios personagens digitais acompanham a fotografia num tom muito colorido. O 3D é surpreendentemente muito bom. O filme possui uma ótima profundidade e, é claro, objetos são jogados na cara do público. Se possível, veja o filme em 3D. Os efeitos visuais estão muito bons. Você acredita que um guaxinim falante existe. Claro que também é preciso ressaltar a excelente dublagem, mas a computação gráfica está muito boa também. Não de uma forma super realista como em "Planeta dos Macacos - O Confronto", mas de uma forma que também lembra muito os quadrinhos.
Como levar a sério esse filme? Com um guaxinim falante e uma árvore ambulante? A resposta é não levar, porque nem ele se leva à sério. Isso é excelente. Tirou a mania de fazer filmes de super-heróis realistas, pois afinal, é preciso admitir que super-heróis são clichês. O filme tem a humildade de admitir isso.
Para muitos, os melhores filmes da Marvel são "Homem de Ferro" e "Os Vingadores". E "Guardiões da Galáxia" encontra-se no mesmo nível, principalmente pela química incrível e cômica entre seus personagens.

Obs: Existe uma cena pós-créditos.

Nota:





- Bilbo

terça-feira, 29 de julho de 2014

Crítica de "Transformers 4 - A Era da Extinção"

Todos já estão cansados da história de "Transformers". A cada filme conta-se mais da guerra entre os Autobots e Decepticons, acrescentando alguns elementos aqui e ali. E mesmo tratando-se de roteiros rasos que não questionam nada, os filmes conseguem arrecadar dinheiro e garantir assim continuações. Não é a toa que se trata da maior franquia da história do cinema (em arrecadação de dinheiro, é claro). O problema principal dos filmes da franquia é que eles não se propõe a acrescentar nada e não se esforçam para ser melhores. Afinal, a bilheteria vai ser grande com certeza. É com esse pensamento saturado duma franquia que só existe para lucrar chegamos a "Transformers 4 - A Era da Extinção". O filme troca de protagonista. Agora contamos com Cade (Mark Wahlberg), um pequeno inventor texano que se depara com um Transformer em seu celeiro. A partir daí, começa-se uma perseguição aos Autobots (não explicada muito bem, afinal os Autobots salvaram a Terra em inúmeras oportunidades). Não se vale nem a pena dar a sinopse do filme, pois pelo que parece não se precisa de bons roteiros na franquia.

O que mais irrita no roteiro é a sua preguiça. O universo dos "Transformers" é extremamente vasto e já conduziu uma excelente série de TV. Mas no cinema, o roteiro não se encontra, desperdiçando boas premissas para cenas de ação em excesso. Não que todos os filmes sejam ruins, na verdade o primeiro até que é um bom filme. Ele consegue ser divertido, construir bem os personagens, cenas de ação bem feitas e com contexto ... Porém, na terceira continuação da franquia o quesito roteiro está um desastre. Não se entende muito bem qual é a principal trama da história, tudo é jogado sem nenhuma preparação e fica muito confuso. Além disso, os novos personagens introduzidos são jogados de qualquer forma na história, sem causar uma identificação com o público. Existem diálogos extremamente clichês e repetitivos e alívios cômicos forçados e previdos. O roteiro não acrescenta nada útil à mitologia dos Transformers, volta com personagens apenas para forçar continuações e continuar ganhando muito dinheiro. O principal problema do roteiro então se denomina produtor que não dá muita liberdade para criatividade e acaba tornando cada filme uma repetição do outro.

A direção de Michael Bay continua sendo o destaque do filme. Já é o quarto filme da franquia que o diretor faz a mesma coisa. Uso excessivo de câmeras lentas, câmera tremida, explosões, helicópteros, câmera rodando em volta dos personagens... Tudo isso faz parte do show de Michael Bay que não gosta de ser um diretor discreto. Ele gosta de ser um diretor recheado de alegorias e destaques. E por mais que isso soe estranho, aqui isso se encaixa perfeitamente. Como o público precisa esquecer do roteiro, é a direção de Michael Bay que faz o filme não ser um fiasco total. Devido a todos esses artefatos usados, o diretor prende a atenção do público e às vezes até diverte. As cenas de ação filmadas por Michael Bay são épicas.

Tecnicamente o filme deixa a desejar. Os efeitos especiais são bons, mas muito mal realizados. Logicamente existe um excelente trabalho na produção dos robôs, mas existem cenas em que a tela verde é nitidamente percebida. E tratando-se de um filme com o orçamento gigante, isso não pode passar desapercebido. Além, disso, o filme é muito longo. As cenas de ação se estendem demais, sem necessidade, pois o final da cena todos já sabem. Chega um momento do filme que o público já está saturado de tanta luz e ação na cara. 150 minutos para um filme da franquia ''Tranformers" pode ser chamado de tortura. O elenco é extremamente irregular. A única boa atuação do filme é de Mark Wahlberg. Este já trabalhou com o diretor no filme "Sem Dor, Sem Ganho", e aqui ele se mostra muito apto a protagonizar um filme da franquia. Ele supera Shia LaBeouf (o protagonista dos 3 últimos filmes) de uma forma esmagadora. Porém o resto do elenco que acompanha ele é pífio e totalmente sem inovação. Parece que não há improvisos no filme, tudo é feito conforme panejado. Isso faz com que o longa perca a irreverência ou a surpresa que alguns improvisos promovem. Enfim, o filme não é o pior da franquia por apresentar cenas de ação empolgantes, mas que são demoradas. A direção chamativa de Michael Bay se destaca, mas a incompetência do roteiro está acima de tudo.

Nota: 

- Demolidor

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Crítica de "Planeta dos Macacos: O Confronto"

Em 1968, chegava aos cinemas mundiais o filme "Planeta dos Macacos". Muito desacreditado na época, o longa foi um sucesso de audiência e crítica. Devido a seus avançados efeitos visuais na parte das máscaras e um roteiro de ficção científica redondo, o filme ainda pode ser bem avaliado nos dias atuais. Porém, após esse enorme sucesso, os produtores começaram a inventar. Foram feitas quatro continuações seguidas para o filme, o que tirou a seriedade da franquia e de seus personagens. Além disso, a qualidade só ia caindo até que depois de um tempo, os produtores desistiram dos macacos. Até que em 2001 o diretor Tim Burton ("A Fantástica Fábrica de Chocolate", "Os Fantasmas se Divertem") teve a oportunidade de reviver a franquia. Porém com um roteiro desastroso e com a protagonização de Mark Wahlberg sem muita força, o filme foi um fracasso. Eis que em 2011 surge o filme "Planeta dos Macacos: A Origem". Se desse errado, seria com certeza o fim da franquia que até o momento só possuía um filme a se levar a sério. Ainda bem que o filme contou com efeitos especiais primorosos, uma direção simples e eficiente, um roteiro convincente e atores que merecem destaque (principalmente James Franco e Andy Serkis). O filme acertou em diversos aspectos que o levaram a ser analisado como bom. Depois dessa básica aula de história sobre uma das franquias mais importantes no ramo da ficção científica chegamos a estreia de "Planeta dos Macacos: O Confronto", a direta continuação do filme de 2011.

A história se passa depois dos acontecimentos de "Planeta dos Macacos: A Origem". A humanidade sofre de uma epidemia viral e uma raça de macacos avançados domina uma região florestal. O conflito do filme se dá quando os humanos precisam usar a energia de uma represa que fica dentro da reserva florestal onde os macacos se situam. Começa ai um jogo de interesses entre os humanos e os macacos, mas mal se sabe que membros da mesma espécie podem se manipular. O roteiro do filme não é um dos mais originais. É basicamente a história de dois povos com objetivos diferentes que precisam de um mesmo instrumento. Porém, o filme não se prende aos estereótipos do roteiro e consegue criar um clima de suspense enorme. Além disso, o longa não apresenta um lado "certo": o espectador é apresentado aos dois lados e cabe à ele julgar qual é o correto. Porém, o roteiro com suas sutilezas consegue confundir a cabeça do espectador e, chega um momento que percebe-se que não há lado certo. O roteiro também brilha na apresentação dos personagens e principalmente no desenvolvimento de cada um deles, especialmente do protagonista Cesar (Andy Serkis). Seu desenvolvimento já vem sendo trabalhado desde o primeiro filme e aqui continua numa ascendência muito boa. O macaco consegue ser um personagem forte e carismático. A relação de Cesar com o humano principal Malcolm (Jason Clarke) também possui um bom tom, evoluindo do medo, ao respeito e admiração.

A direção é de Matt Reeves. Ele consegue conduzir o espetáculo sem a fama cair sobre seus ombros. O diretor se preocupa em carregar o filme duma forma fluída, fazendo as tomadas certas para emergirem o espectador no filme. O jogo de câmera de Reeves é muito bom e é perceptível as cenas em que Cesar está com os macacos e ele se destaca dos demais. Esse destaque não é feito pela aparência e nem pela movimentação do personagem, mas pela movimentação da câmera que sempre coloca o líder numa posição elevada. Ele frisa em mostrar o quanto os macacos são inferiores a Cesar. O elenco do filme está muito bem. Andy Serkis no papel de Cesar está excelente, tanto na parte técnica quanto na parte física e de movimentação. O ator consegue passar sentimentos fortes à seu personagem e em nenhum momento o espectador se questiona de que não se trata de um macaco real. O elenco da parte dos humanos não possui muitos destaques. Jason Clarke está bom no seu papel principal, sem chamar muita atenção. Gary Oldman merece destaque por uma ótima interpretação, mas que às vezes beira ao limite do exagero.

Os efeitos especiais são excelentes. Só de pensar que todos aqueles macacos são feitos graficamente com aquela perfeição, dá arrepios. O trabalho feito é notável, pois não é uma coisa simples misturar CGI com atores humanos num mesmo planos durante 2 horas! Mas tudo foi feito da melhor forma possível para que os efeitos pudessem ser apreciados pelo grande público. Além disso, os efeitos são muito bem usados nas cenas de ação. Aliás, as cenas de ação são extremamente empolgantes. Existe coisa melhor que macacos montando cavalos com armas na mão destruindo prédios? Mas, mesmo empolgando, as cenas de ação não são jogadas do nada, elas fazem parte do roteiro. É isso que faz com que o filme não se misture com outros "blockbusters" de ação, suas cenas têm um contexto. O filme conta com um roteiro simples, mas bem trabalhado, cenas de ação empolgantes e efeitos especias de encher os olhos de lágrima que fazem com que a franquia ganhe cade vez mais força.

Nota: 

- Demolidor

sábado, 21 de junho de 2014

Crítica de "Vizinhos"

Um mês depois de sua estreia nos EUA, "Vizinhos" chegou ao Brasil. A comédia trata-se de um casal com uma bebê recém-nascida que se depara com um novo problema. Literalmente novo, vizinhos universitários. O casal faz de tudo para livrar-se desse grupo de estudantes. Seth Rogen e Zac Efron são os protagonistas do longa. Mac (Rogen) é o pai que fica incomodado enquanto Teddy (Efron) é o líder do grupo de jovens. O roteiro explora bastante a tentativa de Mac agir como um adolescente, mostrando, durante uma boa parte do filme, mais maturidade em Teddy do que no protagonista. Ao mesmo tempo que isso confere uma comédia ao filme, também é daí que surgem os principais problemas.
Ao juntar a comédia "velha-guarda" de Rogen com a nova comédia de Efron, o longa se perde. O principal problema do roteiro é não saber para que público está falando. Enquanto o filme faz piadas bobas e mostra homens e mulheres se relacionando (conteúdo dirigido para o público jovem), o longa insiste em fazer referências a Scorsese e a Tarantino que, com certeza, a maioria do público jovem não entende. Dá a impressão que Rogen e Efron participaram da criação do roteiro e o produto final ficou perdido.
O longa não tem só pontos ruins também. O diretor Nicholas Stoller é inteligente ao dar um tom de filme de guerra que gera uma comédia inteligente enquanto os adultos planejam os ataques ou durante a execução. A direção, principalmente durante as cenas de luta, lembra muito esse tipo de filme. E a trilha sonora, apesar de genérica, também contribui para esse tom.
As referências antes citadas também são engraçadas (pelo menos para quem as entende). Vão de Breaking Bad até Mad Men e incluem os já citados Tarantino e Scorsese, ou melhor, Samuel L. Jackson e Robert De Niro. São as partes que o longa torna-se mas inteligente.
Seth Rogen está interpretando muito bem o homem de meia idade que acabou de virar pai, mas ainda quer agir como adolescente. O ator também conduz muito bem a transformação que seu personagem sofre durante seu arco. Zac Efron fugiu de "High School Musical". O ator, que não havia feito nada de muita expressão desde a trilogia musical, conseguiu criar um personagem bem diferente e, na metade do filme, ele já te convenceu que não é mais o jovem que quer cantar e jogar basquete. Mesmo assim, seu personagem é confuso e alguns de seus atos contradizem sua própria personalidade. No elenco secundário, destaque para Ike Barinholtz, que interpreta Jimmy. Seu personagem está muito divertido no longa.
"Vizinhos" é um filme que tem boas piadas, mas fica perdido ao não saber para que público está falando. Faz referências a Robert De Niro para jovens que não sabem quem é Scorsese.

Nota:





- Bilbo

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Crítica de "Game of Thrones - 4ª Temporada"

"Game of Thrones" é, com certeza, a série com mais reviravoltas na televisão. A série é uma das únicas que não tem medo de ser fiel ao seu material original, mesmo matando personagens principais adorados pelo público. Isso já vem acontecendo na série desde seu princípio, mas foi nessa temporada que se intensificou. É praticamente impossível dar uma sinopse para a série, tratando-se de tantos focos de personagens e lugares. Basta saber que é uma história de aventura/fantasia passada num continente chamado Westeros e que esse continente está em guerra. Nesse ambiente tão vasto, surgem os personagens tão caricatos e amados pelo público como Tyrion, Daeneryes, Jon Snow , etc..

O roteiro dessa temporada é o mais bem elaborado da série. Mesmo situando-se numa temporada intermediária, o roteiro consegue abrir um arco e fechá-lo na mesma temporada. É interessantíssima a forma como os personagens são bem desenvolvidos e como o tempo de tela é bem distribuído. Os roteiristas conseguiram criar histórias cativantes, que prendem a atenção do espectador e sempre o fazem esperar ansiosamente para suas resoluções. Isso é com certeza o que "Game of Thrones" faz de melhor: criar histórias envolventes que prendem a atenção do público. Essa também é a temporada com o maior índice de morte de personagens principais e intermediários. Nesse aspecto a série também se supera, pois você nunca vai saber o que vai acontecer com determinado personagem, por mais seguro que ele esteja no momento. A temporada também conseguiu dar uma evoluída em alguns personagens não tão envolventes até então como o Cão de Caça e Jon Snow. Ambos possuem ótimas participações na temporada. Além deles, o núcleo da família Lannister também é excelente, remetendo um jogo político que lembra a série "House of Cards". A direção da temporada também é muito boa, com a câmera sempre utilizando dos excelentes cenários para contar a história. Aliás, os efeitos especiais estão excelentes, principalmente tratando-se de uma produção televisiva. É evidente o cuidado que os produtores têm para deixar tudo perfeito. A série continua fiel aos livros das "Crônicas do Gelo e Fogo" de George R. R. Martin, apesar de fazer algumas alterações necessárias, que apenas engrandecem a história. O cilma tenso criado desde o início da temporada é bem construído e os acontecimentos marcantes são chocantes. As atuações continuam excelentes, destaque para Peter Dinklage (Tyrion), Lena Headey (Cersei) e Charles Dance (Tywin) que roubam a cena, principalmente quando contracenam entre si.

Enfim, essa temporada se afirma como a melhor da série, com um ótimo desenvolvimento de personagens e enredo, além de acontecimentos de deixar o "queixo caído".
Nota: 

- Demolidor

sábado, 31 de maio de 2014

Crítica de "No Limite do Amanhã"

A viagem  no tempo é um tema recorrente nas ficções científicas no cinema. Mas esse conceito sempre é explorado de formas diferentes, variando de roteirista para roteirista. Muitas vezes esse recurso é usado de forma estúpida e isso denigre o filme, mas não é esse caso. "No Limite do Amanhã" conta a história do soldado Cage (Tom Cruise) que vive numa Terra futurística onde os humanos estão em guerra com os alienígenas. Um dia ele vai para a batalha e morre. Porém, ele acaba caindo numa fenda temporal e toda vez que ele morre naquele dia, ele acaba o vivendo novamente. Assim, ele com a ajuda de Rita (Emily Blunt) precisa montar uma estratégia para derrotar a raça alienígena antes que seja tarde demais.

O roteiro é escrito por Cristopher McQuarrie ("Jack Reacher: O Último Tiro"), Jez Butterworth ("A Última Legião") e John-Henry Butterworth. O roteiro é extremamente bem escrito. Logo de cara, ao sermos imerso nesse universo da fenda temporal, já lembramos do clássico da comédia "Feitiço do Tempo". Mas, sempre há a dúvida se a trama conseguirá se desenvolver num conceito um pouco complicado. Mas o filme consegue contar uma boa história, utilizando desse conceito para engrandecer a trama. É interessante as estratégias que os protagonistas bolam e é perceptível a paciência que eles precisam ter, principalmente o soldado Cage que precisa fazer aquilo várias vezes. O roteiro, na verdade, lembra um jogo de guerra. Afinal, em jogos muito difíceis ao morrer você volta a um checkpoint e aprende seus erros que o levaram a morrer. É basicamente esse o conceito presente no longa. Outra coisa interessante do filme é que ele não apresenta um final conclusivo e nem se propõe a o fazê-lo. O final, mesmo não fechando a história, foi o ideal para encerrar aquele arco da trama, pois além dali nada importaria mais. Não chega a ser um final de "explodir a cabeça", mas é um final que faz pensar e discutir com outras pessoas sua opinião sobre o que de fato aconteceu. Esse artefato usado é excelente e foi muito bem bolado pelos roteiristas. Talvez o único ponto fraco do roteiro seja o desenvolvimento dos personagens que foi meio superficial. Mesmo tratando-se de uma ficção científica com um tom devastadora, o filme apresenta alívios cômicos muito bem usados e extremamente divertidos. Desse modo, o espectador não se identifica com nenhum dos dois protagonistas da maneira que um filme desse tipo precisa.

A direção é de Doug Liman ("A Identidade Bourne"). Ele se mostra um diretor muito ousado, mas eficiente. Existem plano belíssimos onde ele solta a câmera no ar e deixa ela levar o espectador a se emergir na ação. Além disso, ele usa muito do artefato da câmera tremida, mas de uma forma orgânica que não atrapalha o filme. As cenas em batalha são muito bem coreografadas e o diretor consegue deixar a ação fácil de entender. Aliás, as cenas de ação são excelentes, muito bem filmadas e não são cansativas. Os efeitos especiais são bons, mas não são perfeitos. As atuações dos dois protagonistas estão boas. Tom Cruise demonstra esforço na caracterização de seu personagem, mas continua sendo o Tom Cruise de sempre. Talvez para esse filme a melhor escolha não fosse ele. Emily Blunt é o ponto alto do elenco, criando uma personagem sem muito desenvolvimento, de uma forma carismática e impactante. O filme possui uma direção sensacional, um roteiro ousado que propõe discussões, mas peca no desenvolvimento dos personagens e na escolha de seu protagonista.

Nota: 

- Demolidor

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Crítica de "NBA 2K14"

Normalmente, nós do Skybaggins, não fazemos críticas de jogos esportivos. Talvez por serem na maior parte das vezes clichês e sem muitos elementos diferenciados que mereçam uma crítica. Mas, após o lançamento desse jogo e após jogá-lo, é praticamente impossível não fazer uma crítica positiva à ele.

"NBA 2K14" é um jogo desenvolvido pela Visual Concepts e distribuído pela 2K Sports. Foi lançado em território americano em Outubro do ano passado para PlayStation 3, Xbox 360 e Microsoft Windows. Posteriormente as versões para os consoles da nova geração começaram a ser vendidas. O jogo é uma experiência incrível. Ele agrada muitíssimo os fãs de basquete, mas também atrai um público que não conhece muito sobre o esporte e que começa a se interessar a partir do jogo. Esse é um papel muito importante que o jogo tem, aproximar pessoas desconhecedoras do esporte a partir da experiência jogada. Dentro do jogo é possível fazer várias coisas. Existe a opção do "Quick Game" onde você pode jogar com qualquer pessoa online ou até mesmo no mesmo recinto. São as famosas partidas "X1", fortemente recomendadas para quando se estiver com a galera. Também existem dois outros modos de jogo que permitem uma espécie de campanha ao jogador. O primeiro é o "MyPlayer", onde desenvolvemos um jogador e apenas o controlamos. Somos responsáveis por sua aparência física, a escolha de seus times, o posicionamento em quadra, etc.. Esse modo de jogo é bastante interessante, mas requer um pouco de paciência, pois não é toda hora que seu jogador estará em quadra. O outro modo de jogo (o que eu mais gosto) é o "MyGM". Nele escolhemos um time qualquer da liga e iniciamos uma campanha com ele. Desde o início da temporada, os objetivos são traçados e a ânsia por ganhar cada jogo e chegar nos Playoffs deixa o jogo extremamente dinâmico. Outra coisa que contribui para esse modo de jogo ser tão bom é o fato do jogador poder escolher o time comandado. Assim, é possível que os fãs da NBA escolham seus times e joguem temporadas inteiras com ele.

A jogabilidade do jogo é muito boa. Todos os controles são bem fáceis de entender e após jogadas umas três partidas, o jogador já adquire os botões certos para cada jogada. Além disso, a movimentação dos jogadores em quadra é muito fluida e para se jogar bem é preciso muita atenção, principalmente na defesa, onde as vezes um atacante surge sozinho embaixo da cesta. É muito divertido o modo como o jogo foi desenvolvido para simular uma real partida de NBA. As vezes acontecem discussões na quadra, as vezes o juiz revê o lance para ver se marcou correto, etc... Isso não modifica nada o jogo, mas traz uma realidade que agrada muito. As comemorações depois de uma enterrada ou uma bola de três são muito divertidas, pois são as mesmas que os jogadores fazem na "vida real". Até aqui, o jogo tem se mostrado muito bom, mas o fator crucial vem agora: o gráfico.

O gráfico do jogo é absurdamente lindo. É impressionante como é detalhado. As feições dos jogadores em quadra são extremamente realistas. Além disso, no momento do jogo a disposição dos jogadores, combinados com a movimentação fluida dão a ideia de que você está vendo um jogo da NBA pela TV e não jogando em seu console. É impressionante como a parte gráfica acertou em todos os detalhes, afinal além de possuir ótimas imagens não acontece nenhum bug durante todo o jogo. Outro ponto interessante do jogo é a trilha sonora que conta com músicas contagiantes como "Can't Hold Us" e "Happy". Um jogo que precisa ser jogado não só pelos amantes do basquete, mas também pelos amantes de videogame. Diria que é o jogo definitivo de esporte e se afirma como o melhor da atual geração. Um jogo perfeito em tudo que propõe, gráficos realistas, jogabilidade bem elaborada, controles simples e rivalidade e nervosismo típicos de uma partida da NBA.

Nota: 


- Demolidor

domingo, 25 de maio de 2014

Critica "Agents of SHIELD" - 1ª Temporada

A primeira série live-action da Marvel chega ao fim da sua primeira temporada. Com altos e baixos, conta a história da volta do Agente Coulson (Clark Gregg) depois dos acontecimentos de "Os Vingadores". Coulson monta uma equipe de agentes para lidar com casos sobrenaturais.
O roteiro é irregular. A série, como já citado tem episódios ruins e bons. O elenco é relativamente bom. Clark Gregg está bem como o personagem que já viveu em quatro longa-metragens do estúdio. Chloe Bennet interpreta a personagem Skye que, junto com Phil Coulson, forma a dupla principal do seriado. Sua personagem também está envolvida num drama, que é bem conduzido pela atriz. Brett Dalton interpreta o Agente Ward. Mesmo sem muita expressão, não compromete o resultado final. Talvez a pior atuação seja a de Ming-Na como a Agente May. Se eu disse que Ward não tem expressão, May é como se fosse uma estátua.
A série ganha pontos no quesito dos efeitos visuais. Não são lá grandes coisas, mas para uma série com quase vinte episódios, devem ser comentados.
A direção não tem nada que incomode, mas também não possui uma assinatura própria.
O interessante do seriado são as referências feitas ao universo Marvel. Tanto ao cinematográfico, quanto ao dos quadrinhos. Não são tão abundantes quanto em Arrow por exemplo, porém existem citações a vilões e a heróis desse Universo. Graviton, Homem-Coisa, Miss Marvel, etc. Também existe uma cena de Stan Lee, co-fundador da Marvel Comics, que aparece também em quase todos os longas da produtora. O ambiente do universo também é bem estabelecido, citando a Hydra, por exemplo. Também entralaçando-se com os filmes e sofrendo as consequências do que acontece nas telonas.
Samuel L. Jackson também participa da série. Com pequenas aparições no começo e uma longa participação mais pro final. Ele quer mesmo aparecer em todos os filmes e série pelo visto...
Maria Hill (Colbie Smulders) também aparece por um bom pedaço durante o final.
A série tem uma qualidade irregular. Mas é só a primeira de muitas outras que serão produzidas pela Marvel. Não alcançou o público esperado, mas pelo menos aprenderam. As pessoas querem ver super-heróis. Agentes com colãs pretos já saíram de moda.

Nota:

- Stark

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Crítica de "X-Men - Dias de um Futuro Esquecido"

"Devemos acabar com esta guerra antes mesmo que ela comece." A frase de Magneto (Ian McKellen) resume a premissa do longa. O futuro está praticamente exterminado (lembra muito os campos de concentração alemães e "O Exterminador do Futuro"). Os mutantes chegam a um ponto onde o único jeito de sobreviver é voltar e consertar o passado. Talvez o mais interessante deste filme seja a mistura da geração "velha" com a nova.
O elenco é um dos melhores aspectos do filme. Existem muitos nomes de peso. O longa é protagonizado por Hugh Jackman (Wolverine). Como sempre bem no papel, o ator surpreende por sua ótima forma física. James McAvoy interpreta o Professor X enquanto Patrick Stewart incorpora sua versão do futuro. Os dois estão muito bem igualmente. Michael Fassbender e Ian McKellen são os Magnetos jovem e velho respectivamente. Não precisa nem comentar a participação dos dois, estão incríveis. Jennifer Lawrence volta como Mística. A atriz que também é famosa por suas excelentes atuações não decepciona. Completam o elenco principal: Halle Berry (Tempestade), Evan Peters (Mercúrio - participação excepcional), Ellen Page (Kitty Pride), Nicholas Hoult (Fera) e Peter Dinklage (Bolivar Trask).
O roteiro aborda a viagem no tempo como seu elemento principal. É muito interessante como as ações ocorridas no passado influenciam no futuro (e o contrário). O longa cria até um novo conceito para esse assunto. Interessante também é ver as diferentes personalidades de um mesmo personagem em idades diferentes. Isso fica bem claro no Magneto.
Outra coisa muito bem trabalhada novamente é o preconceito dos humanos contra os mutantes. Isso sempre foi muito bem explorado nos filmes do super grupo (pelo menos nos bons). Desta vez os poderes deles são muito bem aproveitados também. Os heróis lutam em conjunto e os excelentes efeitos visuais auxiliam nisso. O poder de um completa o do outro, exatamente como nas HQs. Falando nelas, o filme não é nada fiel à sua inspiração. Ele apenas toma a história como base para se desenvolver em cima dela.
O longa era um dos mais esperados do ano. Não só pela mistura dos dois elencos, mas também pela volta do diretor Brian Singer, responsável pelos dois primeiros "X-Men". Sua direção resgata o tom da trilogia original, o que ajuda a estabelecer um mesmo universo. O principal problema do longa é que o roteiro não cumpre essa função como a direção. Ao ser analisado dentro da franquia, o longa perde pontos. Tudo bem que a Fox sempre foi muito bagunçada nesse aspecto. Mas tem coisas que não dá para deixar passar. Existem erros de incoerência com os filmes anteriores. Mas o filme consegue pelo menos abrir uma excelente possibilidade de continuação, podendo dispensar a geração antiga sem precisar fazer um reboot.
Pode-se dizer que Singer conseguiu botar o barco de volta para a direção certa e, mesmo com problemas de incoerência dentro da franquia, o longa é muito bom. Se alcança as expectativas? Diria que sim. Mas tinha potencial para ter ultrapassado elas.
Obs: Existe uma cena pós-créditos.

Nota:

- Bilbo

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Crítica de "Arrow - 2° Temporada"

Em 2012, estreava a série do Arqueiro Verde: "Arrow". Porém, todos os fãs já estavam com um pé atrás. Afinal, o Arqueiro Verde não é um personagem tão bem trabalhado nos quadrinhos e se não fosse bem trabalhado na TV ficaria ridículo ao extremo. Porém, a série estreou e sua 1° temporada foi bem recebida tanto pelo público quanto pela crítica. A temporada consegue tornar-se uma série policial envolvendo super-heróis, mas até aquele momento as referências aos quadrinhos eram quase nulas. Então, no final do ano passado (2013), a segunda temporada veio com a promessa de continuar a qualidade dramática da série, introduzindo elementos dos quadrinhos aos poucos para a alegria dos fãs. E, felizmente, deu resultado.

A temporada foi brilhante do início ao fim. É interessante a forma como "Arrow" se apresenta. Normalmente, as séries gostam de desenvolver os personagens até alcançar algum momento da temporada e aí sim trazer as revelações para o público. Porém, "Arrow" em praticamente todos os seus episódios consegue introduzir alguma informação que deixa o público ansioso para o próximo episódio. Isso é extremamente importante, principalmente para criar um elo com o público e fazer com que toda semana o telespectador assista um episódio novo. Essa temporada se superou da anterior por alguns fatores. A carga dramática e as relações dos personagens continuaram bem desenvolvidas. Porém, o fator crucial da temporada foi o fato do Arqueiro finalmente virar um herói. É nessa temporada que Oliver Queen mostra seu lado heroico e pensa mais nas pessoas do que em executar seus planos. E o legal é que essa transformação não foi feita duma hora pra outra. Tem sido construída desde o início da temporada até o episódio final, onde se consolida. A pegada da série é similar à trilogia do Batman de Cristopher Nolan, usando de um tom mais realístico e investigativo.

Outro ponto fortíssimo nessa temporada foram as referências ao universo da DC Comics. Enquanto na primeira temporada poucos personagens dos quadrinhos apareciam, nessa não há do que reclamar. O Flash aparece em alguns episódios e ganhará uma própria série no mesmo universo de "Arrow", o que é interessante. Também contamos com a aparição de nomes como o Pistoleiro, Canário, a menção à importantes nomes na mitologia do Batman como a Arlequina e Ra's al Ghul, além é claro do Exterminador (Deathstroke) que é o principal vilão da série. O elenco também merece destaque, principalmente Stephen Amell que melhora drasticamente seu desempenho. O problema (para os brasileiros) é que "Arrow" não possui um horário fixo para a TV. Então, quem quiser assistir à série aqui no Brasil precisa recorrer a Internet. Isso é muito afunilador, pois apenas os fãs que já conhecem a série querem a assistir online. Se passasse periodicamente na TV, a chance do público brasileiro aumentar seria enorme.

Portanto, a segunda temporada de "Arrow" se demonstra melhor do que sua anterior por continuar com a qualidade investigativa e introduzir elementos consagrados da mitologia da DC.


Nota: 

- Demolidor

sábado, 17 de maio de 2014

Crítica de "Godzilla"

"A arrogância dos homens está ao pensarem que controlam a natureza, e não o contrário", bom, se não controlamos a natureza, controlemos os efeitos visuais. Já temos um indicado para o Oscar de efeitos quase certo aqui. Visualmente, o longa é impecável. A ação digital com os monstros gigantes e os cenários são inacreditáveis. Porém, embora possa parecer, "Godzilla" não é um filme apenas "de efeitos especiais". O roteiro tem vários méritos. Mas o que mais se ressalta é a parte científica. Se repara o cuidado científico dos roteiristas que explicam muito bem os fatos e as motivações dos monstros principalmente. Nos detalhes que se tem em pensar que a cada passo do monstro acontece um "mini maremoto", entre outras coisas, que se percebe isso.
Dramaticamente, o longa também acerta em cheio. Os atores - pelo menos a maioria deles - souberam retratar muito bem as situações, ainda mais se você parar para pensar que estão interagindo com um fundo verde, com computação gráfica. Como muitos já sabem, este é o primeiro grande filme do excelente ator Bryan Cranston (Walter White na série Breaking Bad), que não desapontou e apresentou-nos uma excelente caracterização. Mas, poucos sabiam que seu personagem seria coadjuvante no longa. O papel principal é de Aaron Johnson (Kick-Ass), que não está incrível, mas consegue levar o filme. Ken Watanabe também está no elenco. De todos os atores principais, ele teve o pior desempenho - e olha que ele não é mau ator. Estava sempre com as mesmas feições e possuía poucas expressões. Completam o elenco principal Elizabeth Olsen e Sally Hawkins.
Todos - espero - conhecem a história do Godzilla. É um monstro que não é o vilão da história. Neste longa, retraram muito bem esse conceito, chegando a um produto final que pode-se dizer que finalmente acertaram no monstro. Tanto visualmente quanto conceitualmente.
O longa é cheio de cenas e mensagens simbólicas. E foi numa dessas cenas que ele me conquistou. Acontece já no final mas refere-se ao começo, fazendo uma espécie de fechamento de ciclo muito bem feito. É algo que o público não repara normalmente. Mas este é um filme que deve-se prestar bastante atenção, pois é lotado de metáforas. Afinal, o Godzilla é uma metáfora para as bombas de Hiroshima e Nagazaki. E até disso o filme fez referência.
No final pode-se dizer que o diretor consegui filtrar todo o material que havia de melhor sobre o monstro e depositar nesse filme. Já havia muita expectativa para o longa, mas ele ainda consegui superá-la. Cheio de metáforas e simbolismos, "Godzilla" rugiu mais alto e tornou-se o melhor Blockbuster do ano até agora.
Nota: 






- Bilbo

sábado, 10 de maio de 2014

"Forrest Gump"

"Minha mãe sempre disse que a vida é como uma caixa de chocolates, você nunca sabe o que vai encontrar". Este é o resumo de "Forrest Gump - O Contador de Histórias". Esta frase ficou marcada desde o lançamento do filme, em 1994, pois não só resume o tema central do filme, como também a vida das pessoas. E que melhor jeito de transmitir essa ideia senão por uma pessoa incapacitada intelectualmente que, como uma criança, é inocente e incapaz de mentir?
O filme é dirigido por Robert Zemeckis (Trilogia "De Volta para o Futuro"), baseado no livro de Winston Groom. Seus defeitos são poucos, ele acerta em todos os aspectos fundamentais para um filme memorável: Roteiro, elenco, direção, visual (não somente os efeitos especiais, mas a fotografia, os cenários, os figurinos, etc.), não é à toa que ganhou seis Oscars: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Tom Hanks), Melhor Roteiro Adaptado, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Edição.
Mas, deixando os aspectos técnicos de lado, por que a história de Forrest é tão aclamada mundialmente? A principal resposta é identificação. Todos nós temos dificuldades em algumas coisas e, ao vermos um personagem com dificuldades parecidas, nos identificamos com ele. Além disso, o filme é uma lição de vida, pois nos mostra-a da forma mais inocente possível. Um homem de QI baixo nos contando sua vida em um banco numa praça qualquer, enquanto espera o ônibus. É como se o espectador estivesse sentado ao lado dele e o diretor posiciona a câmera em cima do banco justamente para nos passar essa sensação. 
Pode-se dizer que Gump viveu de tudo: futebol americano, exército, tênis de mesa, corrida... Viu pessoas irem e virem, mudarem e manterem-se as mesmas, e essa história dele nos é contada impecavelmente através das músicas. Fora a trilha sonora inesquecível de Alan Silvestri, existem canções ótimas no longa: "For What It's Worth", "Sweet Home Alabama", "Blowing in The Wind" e muitas outras.
O filme também introduz uma grande questão "Nós que fazemos nosso destino ou ele já está preparado?" que mantém o espectador pensando até depois do longa acabar. Alguns dizem que o filme deixa a pergunta mas não se preocupa em responder. Eu digo o contrário. O longa dá a resposta dessa questão de forma sutil. A música que Jenny toca no violão é "Blowing in The Wind" de Bob Dylan, cujo refrão diz "The answer is blowing in the wind." (A resposta está sendo soprada pelo vento). Quem é soprada pelo vento no filme? A pena da cena de início e de conclusão. A pena é a resposta! Justamente a cena que parecia não fazer sentido, é uma das mais importantes. O destino (Forrest) está aguardando a pena e não importa quantas voltas ela dê e o quão longo seja o caminho. Se o destino já está planejado? Só posso responder uma coisa: "A vida é como uma caixa de chocolates, você nunca sabe o que vai encontrar.".


- Bilbo


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Crítica de "Getúlio"

Getúlio Dornelles Vargas. Talvez ele seja a figura política mais importante da história do nosso país. Ora ditador, ora presidente da república, Vargas comandou o Brasil por 18 anos e meio. O gaúcho foi importante para o Brasil, principalmente para os trabalhadores brasileiros. Conhecido como "pai dos pobres", Getúlio foi uma figura controvérsia, mas representativa para a história do Brasil. Já estava na hora dele ganhar um filme! O filme acompanha Getúlio (Tony Ramos) em seus últimos dias; desde o atentado ao jornalista Carlos Lacerda (Alexandre Borges) até o seu suicídio.

O roteiro é de George Moura ("Gonzaga: De Pai pra Filho") em parceria com João Jardim ("Pro dia Nascer Feliz"). É muito bem escrito. A dramaticidade do protagonista é muito bem trabalhada. Suas dúvidas e indecisões são muito bem trabalhadas pelos roteiristas. Mesmo tratando-se de um curto espaço de tempo em que a história se desenvolve, o roteiro teve a habilidade de focar nas partes importantes, de modo que o filme não tornou-se monótono. O desenvolvimento dos personagens foi condizente com a realidade, apesar de enaltecer os pontos positivos de Getúlio e não desenvolvendo seus pontos negativos. O atentado ao jornalista (ponto em que o filme começa) é um mistério até hoje. Não se sabe o mandante do crime. Muitas pessoas foram ao cinema para descobrir o desfecho da história e ao não serem explicadas criticaram o longa por conta disso. Porém, o filme não se propõe em nenhum momento a explicar os verdadeiros fatos daquela noite. O objetivo do filme é demonstrar a pressão que Getúlio sofria e que mesmo vivendo rodeado por muita gente, acabava sozinho.

A direção também é de João Jardim. Seu movimento de câmera é muito fluido e acompanha a história naturalmente. O longa apresenta-se na maior parte do tempo no Palácio do Catete e tratando-se de um ambiente limitado, a movimentação de câmera foi bem feita de modo que o espectador não se sentisse claustrofóbico, mas ao mesmo tempo usando bem do ambiente para o desenvolvimento do roteiro. A caracterização de época do filme foi bem feita, decorrente de um bom trabalho no figurino. A direção de João Jardim preza por mostrar as emoções dos personagens, focando sempre em suas expressões faciais.

O elenco é muito forte. Tony Ramos está excelente interpretando Vargas. As expressões faciais são muito bem trabalhadas e o cansaço que o personagem vai sofrendo durante a história é muito bem transmitido pelo ator. A caracterização visual do ator também ficou muito boa, remetendo a figura física de Getúlio. Aliás, todo o elenco está muito semelhante aos personagens reais. O elenco coadjuvante consegue fazer um ótimo trabalho. Destaque para Drica Moraes que interpreta a filha de Getúlio. Sua atuação é primorosa e extremamente sentimental. Um ponto fraco, porém, é a atuação de Alexandre Borges que representa seu personagem de uma forma exageradamente forçada. O filme, para padrões brasileiros, é surpreendentemente bom. Mesmo não dando muitos detalhes sombrios sobre o ex-presidente, o longa serve como uma forma de aprendizado ao grande público. Contando com uma grande atuação de Tony Ramos, filme político se destaca pelo seu aprofundamento sentimental.

Nota: 

- Demolidor

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Crítica de "O Espetacular Homem Aranha 2 - A Ameaça de Electro"

Após o ocorrido em "O Espetacular Homem-Aranha", Peter Parker vive uma vida agitada vigilando Nova York. Porém, surge uma nova ameaça, o Electro, e esse surgimento se soma aos problemas na vida pessoal de Peter. O roteiro consegue dar bastante ênfase no drama do personagem, desenvolvendo-o ainda mais. Mesmo assim, o longa falha um pouco nas motivações dos personagens, usando desculpas esfarrapadas para certas ações. Ele volta com a história dos pais de Parker, algo que não interessa a ninguém mais e o longa perde muito tempo nisso. Mesmo assim, ele acerta em algo que muitos temiam dar errado (o que aconteceu em "Homem-Aranha 3"), o desenvolvimento dos personagens. Num filme com tantos personagens, é difícil de dar profundidade a todos os integrantes. O longa utiliza de alguns elementos que estão à beira do ridículo, como origens de vilões pouco realistas. Mas consegue balancear entre esse tipo de explicação e outras mais científicas, lembrando inclusive as HQs do amigão da vizinhança (conceito que volta a ser lembrado no começo dessa sequência). Mesmo assim, o ritmo do filme não é muito bom, mas, ainda sim, melhor do que o anterior.
No elenco o longa acerta em cheio. Andrew Garfield é mil vezes melhor que Tobey Maguire como o aranha. O drama do personagem é muito bem retratado nele, principalmente no final do longa, onde existe uma cena realmente emocionante. Emma Stone é Gwen Stacy. Suas indecisões aparecem no rosto da atriz, que, hoje em dia, é a única que consigo pensar para o papel. Jamie Foxx também é um ótimo Electro. O ator oscarizado realiza muito bem a transformação do personagem. O elenco secundário também foi bem selecionado.
Embora muitos tenham dito que os efeitos visuais são muito bons, eu discordei. As cenas do herói andando pela cidade com as teias possui muita computação gráfica, lembrando uma animação 3D. Há inclusive uma cena de um avião que lembra muito "Os Incríveis" da Pixar. A fotografia e o design de produção são surpreendentes, principalmente por sua coloração viva, que lembra bastante os quadrinhos. Em termos de figurino, o uniforme do aranha nunca esteve tão bem nas telonas. Os olhos enormes lembram muito as HQs também.
O filme perde muito na direção realizada por Marc Webb. Ele usa de artifícios em momentos completamente sem motivo, por exemplo, ângulos holandeses (câmera torta, na diagonal, para dar sensação de desconforto ou tontura) em um diálogo completamebte pacífico de Peter com a Tia May. As cenas com a melhor cinematografia são as que o aranha passeia pela cidade em suas teias (mesmo parecendo desenho animado) que são justamente as que Marc Webb não filmou. Mas enquanto essa franquia der dinheiro, a Sony vai continuar apostando nele.
O longa deixa um gancho para o próximo no final, prometendo um grande filme do herói. O longa também possui uma cena durante os créditos, mas não tem nada a ver com o futuro da franquia. Era esperado um filme pior, mas, mesmo com elenco bom, dramatização bem feita e visual interessante, o longa falha em certos pontos do roteiro, algumas falhas que já aconteciam no primeiro filme.

Nota:


-Bilbo




segunda-feira, 14 de abril de 2014

Crítica de "Noé"

"Noé", uma das maiores produções do ano, finalmente chegou aos cinemas. A super produção, envolvendo nomes de peso cumpriu as expectativas. O roteiro não traz muitas novidades. Ele busca contar a história de Noé dando uma aprofundado e apurando suas relações com membros da sua família. O filme consegue construir um bom personagem e fazer-nos duvidar das decisões do protagonista, sem trata-lo como uma pessoa perfeita e completamente pura. A história traz também a mitologia dos anjos caídos, grandes criaturas de pedra que se encaixam perfeitamente na história. Além disso, também o roteiro consegue transformar essa história em algo acreditável.
O elenco, pode-se dizer, é o ponto alto do longa. Russel Crowe se encontra muito bem no papel principal. Consegue fazer o espectador pensar que está enlouquecendo e ao mesmo tempo trata o personagem com respeito. Jennifer Conelly interpreta a mulher de Noé, que ao contrário da maioria dos filmes bíblicos, é uma personagem feminina forte. Isso também acontece na personagem de Emma Watson (que aliás também está muito bem), que é como uma filha adotada para o protagonista.  Anthony Hopkins tem uma pequena aparição como Matusalém, em que está genial. Engraçado e sério ao mesmo tempo. Completa o elenco principal Logan Lerman, o filho de Noé que duvida das atitudes do pai. Esse já não está tão bem no papel.
Visualmente o filme é realmente incrível. Os efeitos visuais são realmente admiráveis. Pelo menos nas cenas em que são necessários. Tive a impressão de um cenário generado por computador em muitas cenas que esse tipo de coisa nem era necessário. Mas, tirando estas poucas partes, o filme é um espetáculo visual e contém cenas muito marcantes, como por exemplo, a primeira aparição da Arca. A música sobe, a câmera avança sobre as árvores acompanhando os pássaros e a estrutura é revelada pela primeira vez. É a cena que dá o famoso reflexo de esfregar as mãos e falar "Agora o filme vai começar!". Além dessa, o longa possui várias outras cenas belíssimas. Os animais chegando na arca são muito bem feitos e sua quantidade inumerável confere um clima épico para o filme. A fotografia também é muito boa. Noé é filmado frequentemente de baixo para cima ou em contra-luz para transmitir uma identidade divina ao personagem.
A direção de Darren Aronofski é extremamente eficiente. Ele confere ao longa o mesmo clima psicodélico ao longa que já havia usado em "Cisne Negro". Utiliza cortes rápidos e cenas coloridas ao mesmo tempo com uma música tensa, o que deixa o espectador nervoso. Mas sabe dosar esse tipo de artifício. Se  tivesse que apontar algo ruim no longa seria a montagem. Podiam ter enxugado uns 20, 30 minutos do filme durante o processo de montagem. Antes da já citada cena que revela a Arca, o filme se arrastava lentamente. Esses minutos não teriam feito falta no produto final.
O filme surpreendeu e divertiu desde os que gostam de se aprofundar na história até os que estavam indo apenas por entretenimento. Com efeitos deslumbrantes, atores excelentes e clima épico, "Noé" passou das expectativas e deverá se estabelecer como um dos grandes filmes bíblicos.

Nota:


- Bilbo

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Crítica de "Capitão América 2 - O Soldado Invernal"

O primeiro filme da Marvel no ano de 2014 chega aos cinemas brasileiros. Integrando a denominada fase 2 do Universo Marvel nas telonas, o filme conta com o Capitão América na sua terceira participação nas telonas. Os eventos de "O Soldado Invernal" acontecem após "Os Vingadores" e acompanha Steve Rogers (Chris Evans) tentando se adaptar ao novo mundo até que um problema dentro da S.H.I.E.L.D. que faz com que o Capitão América, a Viúva Negra (Scarlett Johansson), Nick Fury (Samuel L. Jackson) e Falcão (Anthony Mackie) se unam para deter o problema. No meio disso surge o principal antagonista do filme: O Soldado Invernal (Sebastian Stan).

O roteiro é baseado na HQ de Joe Simon e Jack Kirby, mas a história é completamente diferente, somente os personagens foram aproveitados. O roteiro é adaptado por Cristopher Markus ("Thor - O Mundo Sombrio") e Stephen McFeely ("Thor - O Mundo Sombrio"). O roteiro infelizmente é o ponto mais fraco do filme. Quando se tem um personagem patriota como o Capitão América é possível desenvolver uma trama política e dramática sensacional. Porém nesse filme o roteiro se atrapalha todo. A revelação da conspiração na qual o filme gira em torno é ridícula e extremamente clichê. Além disso, a trama política não foi bem apresentada e não foi dado espaço suficiente para que os personagens pudessem realizar a típica jornada herói (típica, mas que funciona). Em vez disso, somos apresentados a um filme que preza mais pela ação do que pela história. Os diálogos cômicos comuns nos filmes da Marvel são colocados nas costas do personagem Falcão. Apesar de ser um personagem carismático e com um desenvolvimento bem feito, após algum tempo estranhamos o fato de somente um personagem ser responsável pelas piadas. Uma das únicas coisas que o roteiro acerta são as referências que vão além da citação a nomes como Tony Stark, uma aparição de Stan Lee ou a cena pós-créditos. O filme apresenta referências a filmes e elementos da cultura POP como "Star Wars" e "Pulp Fiction'" e isso dá uma sensação de realismo que faz o Universo Marvel ficar cada vez mais concreto nas telonas.

A direção é de Anthony Russo e Joe Russo ("Dois é Bom, Três é Demais"). Eles conseguem fazer um trabalho eficiente. Como o filme é composto principalmente por cenas de ação, as decisões do posicionamento da câmera foram bem feitas para que as cenas pudessem ser empolgantes e realistas (na medida do possível, é claro). Praticamente todas as cenas do filme foram bem executadas, porém é evidente que algumas deveriam ser cortadas. A ação começa a tornar-se extremamente repetitiva e com muitos núcleos de combate de uma vez deixando a cabeça do espectador um pouco confusa (nesse quesito o filme lembra a franquia "Transformers"). A montagem do filme é defeituosa principalmente pelo encaixe das cenas e o tempo que cada uma possui. A fotografia, por incrível que pareça, é exuberante e usa muito bem do recurso das paisagens para construir um visual bonito. Os efeitos visuais foram muito bem feitos, o trabalho de dublês também é notável. Faltou uma trilha sonora apreensiva e que deixasse o espectador ansioso, mas a mixagem de som foi excelente.

O elenco do filme está bem. Chris Evans consegue dar um bom desenvolvimento ao seu personagem, porém é ofuscado pelo pouco tempo que tem para trabalhar os conflitos internos do Capitão. Scarlett Johansson consegue fazer um excelente papel, misturando um tom cômico e sensual que remete muito à personagem dos quadrinhos. Samuel L. Jackson dispensa apresentações, pois sempre consegue passar a imagem de "motherfucker" em qualquer filme, e aqui não é diferente. Ele consegue também desenvolver o lado mais heroico e humano de Nick Fury, coisa que não havia sido feito em nenhum filme anterior. Robert Redford faz uma ponta no filme fazendo o papel dum diretor da S.H.I.E.L.D., mas ele não demonstra ser o Redford que conhecemos, talvez pelo papel fraco e pouco profundo. A grande surpresa do elenco foi, certamente, Anthony Mackie que apresenta um carisma enorme e que consegue dar uma boa imagem para um personagem iniciante e que já causa uma identificação com o público. O filme é um típico blockbuster hollywoodiano, que não desenvolve uma história boa, mas possui cenas de ação lindas esteticamente e empolgantes. Uma decepção aos fãs do Universo Marvel nas telonas que estão acostumados a junção da jornada do herói com alívios cômicos certeiros que causam um excelente divertimento ao público. Portanto, o longa apresenta-se com excessivas cenas de ação e desenvolvimento de conflitos e trama muito aquém do esperado.

Nota: 

- Demolidor

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Crítica de "Toque de Mestre"

Uma história de pianista. Normalmente, ao falar nisso logo imaginamos algum drama em torno do personagem principal como acontece no clássico de Roman Polanski "O Pianista". Porém, no filme "Toque de Mestre" (originalmente "Grand Piano") recebemos um suspense. O filme acompanha o pianista Tom Selzinick (Elijah Wood) que há cincos anos teve um erro fatal numa apresentação e por isso foi afastado dos palcos. Agora, o pianista resolve reapresentar-se, mas o que ele não esperava era que um assassino ameaçasse matar ele e sua esposa se não acertasse todas as notas musicais. O filme com mais ou menos 1 hora e 20 desenvolve-se nesse suspense.

O roteiro é de Damien Chazelle ("O Último Exorcismo - Parte 2"). Apesar de apresentar bem os personagens e já apresentar uma história sufocante e arrebatadora desde o princípio, o roteiro peca na resolução do conflito. Afinal nesse tipo de filme a motivação do matador deve ser bem explorada ou, pelo menos, plausível. Porém, em "Toque de Mestre" não existe uma explicação convincente, tampouco um matador surpreendente. O suspense em cima do matador é muito mal explorado, afinal o seu ator (John Cusack) já aparece nos créditos iniciais. Essa infantilidade no roteiro deixa uma premissa que parecia boa tornar-se um filme totalmente esquecível e desprezível. O protagonista até que é bem apresentado e seus conflitos internos são interessantes, mas a situação que o rodeia é muito inverossímil.

A direção é de Eugenio Mira. Mesmo sendo um diretor com um currículo não muito extenso no cinema, ele conduz bem a direção. Eugenio usa bem das cores vibrantes para passar um sentimento claustrofóbico ao espectador que se vê preso àquela situação, mesmo com um roteiro raso. Seus movimentos de câmera também são muito bem trabalhados e a fluidez que ele usa para realizá-los é perfeita. Ele consegue fazer belos quadros, focando sempre a atenção a algum detalhe que será importante na história. Uma direção consciente e bem feita, por um espanhol que pode dar o que falar. Decorrente de seu excelente enquadramento, o filme ganhou uma ótima fotografia. A fotografia consegue usar dum cenário limitado para belos enquadramentos. A trilha sonora também é fantástica e o ritmo das músicas se encaixam com o drama do protagonista. A montagem do longa é bem feita, simples e eficiente. Visualmente outro ponto forte do filme é o figurino que remete ao público que vai à espetáculos do nível.

O elenco é praticamente composto somente por Elijah Wood ("O Senhor dos Anéis"). É sempre ele o centro das atenções e o núcleo da narrativa. A dúvida que muitos devem ter é: será que Elijah Wood, marcado por interpretar Frodo em "O Senhor dos Anéis" consegue fugir desse estilo de atuação e embarcar em outro. A resposta é mais ou menos. É evidente que Elijah conseguiu interpretar um pianista com traumas e sob pressão, mas falta uma paixão maior na interpretação do personagem. Então, Elijah conseguiu fugir do estilo de papel que o tornou famoso, mas não embarcou completamente num outro estilo de atuação. Porém, do mesmo modo, o ator consegue carregar o filme nas costas sem prejudicar em momento nenhum.

Se você vai ao cinema esperando ver um excelente suspense com um final de explodir a cabeça, esqueça. Mas se você tiver a fim dum bom suspense, apenas como entretenimento a pedida é boa. Afinal, o longa desponta um desconhecido, mas bom diretor e um salto na carreira de Elijah Wood. Um filme com roteiro não tão afiado, mas com direção e trilha sonora que te deixam aflito o tempo inteiro.

Nota: 

- Demolidor